O sangue da sexta-feira, a desilusão do sábado e a alegria do domingo.

O sangue da sexta-feira, a desilusão do sábado e a alegria do domingo.

Quando o Filho de Deus pisou nas areias da Palestina o império romano oprimia as pessoas com a tirania de seu governo desumanizador. Por causa dos milagres que realizava, muitas pessoas o seguiam. Dentre elas, Jesus escolheu doze homens para formar um colegiado e instrui-los acerca do Reino de Deus. Eles ficaram conhecidos como os doze apóstolos.

Os apóstolos também sofreram sob a sola dos sapatos do tacão romano. Quando Jesus os separou, eles deixaram suas atividades para seguir o Mestre, apostaram tudo que tinham imaginando que Jesus insurgisse contra o governo romano e tomasse o poder das mãos do César. A cada milagre a empolgação dos apóstolos crescia, eles vislumbravam o dia em que Jesus assumisse de forma definitiva o poder. Até que um dia Jesus começou a falar que o seu Reino não era deste mundo e que iria morrer. Este assunto perturbou os apóstolos, afinal eles apostaram tudo que tinham para segui-lo. Por mais esforço que empreenderam para demover o Filho de Deus da ideia da morte, Jesus deixou-se deliberadamente, sem resistência, cair nas mãos das autoridades judaicas, para que estes o entregassem nas mãos dos romanos. O fim desta história nós conhecemos: Jesus foi monstruosamente judiado e pregado numa cruz!

Imagine os apóstolos! Quanta decepção tomou conta do coração deles.

Acreditaram que Jesus poria fim no jugo romano, até faziam planos para ocuparem lugar de destaque no novo reino. Que enorme frustração tiveram ao verem o homem capaz de fazer mortos ressuscitarem, sangrar com os açoites do lictor romano! Quanto abatimento deve ter invadido a alma dos seguidores de Jesus ao perceberam que a morte na cruz era inevitável.

Naquela sexta-feira os planos da vida dos apóstolos também foram crucificados.

Depois da morte, eles receberam permissão para tirar o corpo de Jesus da cruz. O corpo frio, cheio de hematomas foi enrolado num lençol e depositado numa sepultura escura e cheia de mofo. Antes de ficar na pedra fria, o corpo do Mestre que era cheio de vida, que falava com voz vibrante e olhava com olhar penetrante, agora estava inerte nos braços de seus amigos. A morte calou sua voz e cerrou seus olhos. Seu corpo estava cheio de feridas que ainda sangravam.

Parece que a vida gosta de aprontar conosco! Quantos sonhos morrem a cada dia?! Quantas feridas são abertas?! Todos nós já investimos em alguma coisa que repentinamente teve que ser sepultada. De repente, alguém diz para o companheiro que vai embora, que tudo acabou e precisa tomar outros rumos na vida! De supetão, muda o plano econômico e a empresa que você lutou tanto para estabelecer vai à falência! Um dia você chega para trabalhar, na empresa que você se dedicou tanto, e o chefe simplesmente diz que você não faz mais parte da equipe! Você vai para uma consulta médica e descobre que está com uma doença terminal! De forma muito simples as coisas das quais investimos toda a vida vão embora, vazam pelos vãos dos dedos e nós não temos como evitar. Foi isto que aconteceu com os seguidores de Jesus. Eles apostaram tudo que tinham, abriram mão da própria vida para seguirem Jesus, e o que receberam de recompensa foi um corpo morto e desfigurado para ser sepultado.

O dia seguinte foi o sábado da completa desilusão. A esperança estava morta e sepultada. Restava-lhes submeterem-se ao julgo romano, e implorar aos céus para não morrerem também.

Mas o ápice histórico do Evangelho aconteceu no domingo pela manhã, a ressurreição de Jesus fez o cheiro do sangue da sexta-feira, e o sombrio sábado da agonia perderam o poder. Naquele domingo pela manhã as mazelas cruentas e nefastas da morte deram lugar à alegria da ressurreição! O Cristo voltou a viver no domingo pela manhã, com ele os sonhos ressuscitam, o cheiro de morte vai embora e a vida volta a ser perfumada e alegre! Novas possibilidades chegaram, o sol voltou a brilhar porque Jesus ressuscitou. Ele vive! E se ele vive eu posso crer no amanhã. A última palavra não é do abandono do infiel. Não é do plano econômico. Também não é do diagnóstico médico, e nem dos governos do mundo. A última palavra sempre será do Dono da vida, aquele que venceu a morte por meio da sua própria morte! O sorriso sarcástico da morte e a voz petulante das desgraças terminam com o raiar do Sol da Justiça no domingo pela manhã.

Jesus Ressuscitou!

 

Pr. Helio Klabono Junior