A melhor resposta ao ódio é o amor

melhor_resposta_odio_amor_270x180

 

A melhor resposta ao ódio é o amor!

Jesus viveu num tempo em que eram erguidas muitas “paredes” que separavam o povo. Não se tratava de paredes de pedra e barro, mas paredes que se erguiam na mente, no coração, na alma do povo. Tais paredes transformavam-se em verdadeiras muralhas de pensamento que, por fim, se tornavam geradores de palavras, atitudes e ações que fraturavam o relacionamento entre os indivíduos. Bons israelitas eram aqueles supostamente entendidos da Lei, como os escribas e fariseus, enquanto que os que não conheciam a Lei e os renegados publicanos, por exemplo, eram considerados maus israelitas.

Foi em meio a esse ambiente hostil, de mente intensamente estreita, de práticas profundamente exclusivistas e de gente intolerante, que Jesus levou a bom termo o seu ministério. Numa atmosfera assim, a orientação de amar os inimigos certamente assombrava seus ouvintes e consistia num ideal quase inalcançável.
No Evangelho segundo Lucas, encontramos algumas ponderações de Jesus que confrontavam as idéias e os ideais daquele tempo:
“Pelo contrário, amai vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nada em troca; e a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é bondoso até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.” (Lucas 6.35-36)

Observando os versos 27 a 30, é possível encontrar os desafios: amar, fazer o bem, bendizer, orar, oferecer a outra face, sofrer com prejuízos materiais, dar a quem pede e não brigar pelos nossos direitos. Em qualquer tempo, viver tais coisas constitui-se numa prática desafiadora. Isso porque a vontade humana por certo é contrária a esse tipo de conduta tão resignada. O propósito de Jesus em querer que seu seguidor tenha atitudes tão opostas à pretensão humana parece estar explícita nos versos 32 a 34: “Se amardes quem vos ama, que mérito há nisso? Pois os pecadores também amam quem os ama. E se fizerdes o bem a quem vos faz o bem, que mérito há nisso? Os pecadores fazem o mesmo. E se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que mérito há nisso? Os pecadores também emprestam aos pecadores, para receber o que emprestaram.” Ou seja, Jesus chamava seus contemporâneos seguidores para amar de um modo diferente, extraordinário, incomum, surpreendente e até sobrenatural.
Jesus motivou os seus ouvintes com as palavras registradas no verso 31: Como quereis que os outros vos façam, assim fazei a eles. Na medida em que a pessoa gostaria de ser tratada, assim também deveria tratar o seu semelhante. Assim, os versos 35 e 36, formam uma espécie de revisão do que foi ensinado, mas de uma maneira que focaliza e resume o propósito.

O fato é que esses dois versículos apontam primeiramente para uma necessidade daquele que segue a Jesus de realmente desejar ser uma benção na vida de outros. As palavras usadas por Lucas para descrever a prédica de Jesus são fortes: Amai vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nada em troca. O desafio de Jesus instiga os seguidores a desenvolver o hábito de ajudar pelo mero prazer de ajudar, ou seja, de saber que está sendo benção na vida de alguém e “não esperar nada em troca!” Provavelmente a figura do inimigo fora usada como ilustração da capacidade máxima de amar, visto que um oponente não faz nada que motive a ser bom para com ele, todavia o desafio é: Do modo como gostaria de ser tratado deve-se tratar tal pessoa. A atitude de um cristão não pode estar condicionada pela maldade ou bondade de quem está à sua frente, mas pela obediência ao mandamento de amar. Jesus toca na questão do desejo, da vontade de seus seguidores!

No entanto, o mesmo verso 35 aponta para o fato de que Deus é fiel para não deixar alguém que ama de forma tão altruísta sem nenhuma recompensa: “…a vossa recompensa será grande…” Quando alguém faz algo sem esperar nada em troca, Deus recompensa. Paulo desafiou os escravos a nutrirem esse tipo de mente:
“Vós, escravos, obedecei a vossos senhores deste mundo com temor e tremor, com sinceridade de coração, assim como a Cristo, não servindo só quando observados, como para agradar os homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus, servindo de boa vontade como se servissem ao Senhor e não aos homens, sabendo que cada um, seja escravo, seja livre, receberá do Senhor todo bem que fizer.” (Efésios 6:5-8)

Há recompensa quando tudo que se faz tem como motivação agradar a Deus! O mesmo Paulo assim recomenda aos Colossenses:
“E tudo quanto fizerdes, fazei de todo o coração, como se fizésseis ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor a herança como recompensa; servi a Cristo, o Senhor.” (Cl 3:23-24)

A atenção de Jesus se voltou para a justiça de Deus: o galardão será grande. E por isso, toca na confiança da pessoa que segue a Cristo. Se tratar bem alguém ou até se sacrificar por alguém e nada receber em troca, isto é um sinal de que confia em Deus e de fato crê que Ele pode recompensar.
Mas há ainda no verso 35 uma chamada à responsabilidade. No pensamento de Jesus encontramos a seguinte frase: “…e sereis filhos do Altíssimo.” Os seguidores de Jesus precisam assumir a responsabilidade de refletir a imagem de Deus diante dos outros. É preciso tomar cuidado para não confundir: Amar as pessoas não torna alguém filho de Deus, mas demonstra que já é ou está nesta condição.

Quando um cristão cultiva uma vida que demonstra um amor extraordinário, cuja conduta vai além daquilo que os pecadores fazem, amando até pessoas classificadas como inimigas, revela a imagem de Deus. Dessa forma, ele faz uma projeção sobre si e em direção aos outros de quem Deus é! Isso significa que se os crentes praticarem o que Jesus está pedindo, suas atitudes pelos outros vão além dos benefícios visíveis. Há um aspecto “revelatório” nas suas ações. As pessoas terão outra impressão de Deus, dependendo da ação dos seguidores de Jesus.

Tudo isso impõe magnífico significado na forma como Jesus encerra sua fala: “Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6:36). A melhor resposta ao ódio é o amor, porque essa foi a resposta que Deus deu em Cristo ao ódio da humanidade.

 

 

Autor: Antonio Lazarini Neto
Texto retirado de: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=183